27 de junho de 2026

Elliot Mintz lembra os dias com Michael Jackson e Sean Lennon

Michael Jackson, Sean Lennon e Elliot Mintz

Trecho do podcast de Sona Oganesyan com Elliot Mintz, personalidade do rádio e da televisão. Ele conta sobre os dias no zoológico de Los Angeles com Sean Lennon, as madrugadas conversando sobre causas sociais com Michael Jackson.

"Sean Ono Lennon tinha uns 10 anos quando o pai dele foi assassinado. De vez em quando ele passava um tempo comigo, na nossa casa em Laurel Canyon. Ele acabou criando uma amizade com o Michael, e a mãe dele, Yoko, já conhecia a gente. Um dia fomos visitar o Michael na casa dele em Havenhurst, Encino, na Califórnia. A gente ficava lá com ele, ele tinha uma sala de cinema e a gente assistia filmes juntos.

O favorito dele era Tubarão. Ele colocava pra rodar de novo, de novo e de novo. A pipoca era ótima, mas chegou uma hora que eu não aguentava mais aquele tubarão mecânico.😁
Aí eu comecei a conversar com ele. E ocasionalmente ele ligou e disse: “É Dia dos Pais. Acho que seria legal levar o Sean no zoológico, ver os animais.

Eu falei: “Acho que seria mesmo”. Perguntei para Sean, ele topou.

Liguei para Michael e falei: “Vamos ter que arrumar a segurança e tudo mais”.

Ele: “Ah não, não. Eu tenho um motorista que vai comigo pra todo lugar. E além disso, eu vou usar uma máscara.”

Isso era antes de máscara virar normal, tá? 

Ele disse: “A gente vai entrar no zoológico e as pessoas vão ver um homem negro de máscara vindo na direção delas. Elas vão só desviar o olhar ou atravessar a rua. Fica vendo.”

Tem certeza?” 

Só fica vendo.”

Fomos pro zoológico de L.A. Saímos de um SUV com um cara que sempre ficava com o Michael e entramos no zoológico no Dia dos Pais. Milhares de pessoas. E ninguém reconheceu Michael Jackson.

Só quando chegamos na casa dos répteis. O Michael amava répteis. O Sean perguntou sobre uma píton ou uma jiboia constritora. O Michael tinha uma em casa. Ele respondeu só duas frases pro Sean, algo sobre a cobra.

E foi aí que, pelo canto do olho, eu vi uma mulher sussurrar algo pra amiga. Aí eu comecei a ouvir um murmúrio. A casa dos répteis lotou. O murmúrio foi ficando mais alto. O povo foi chegando, apertando a gente contra a parede de vidro das cobras.

Falei: “Michael, acho que é hora de ir.”

Saímos ilesos. Mas foi por um triz. Era uma época de popularidade absurda. Poderia ter virado uma debandada. Falei pra ele: “A gente não faz isso de novo.”

Duas semanas depois ele ligou: “James Brown vai estar em L.A. Ele vai estar no Wilton Theatre hoje à noite. Vamos levar o Sean.”

O Sean nunca tinha ouvido falar de James Brown. 

O show começa à meia-noite.”

Michael, não sei se o Sean aguenta ficar acordado até meia-noite.”

Ele vai James Brown! Ele é um showman.”

Depois, em Nova York, ele quis levar o Sean numa peça da Broadway. Fomos juntos. E nesse meio tempo uma coisa que a gente tinha em comum: os dois eram insônicos. A gente não dormia de noite. Era clínico. Aí a gente começou a conversar de madrugada, 3h, 4h da manhã. Ele, às vezes, me chamava pra ir na casa dele depois.

O Sean já tinha voltado pra Nova York. A gente sentava na sala dele e ele falava comigo sobre questões sociais, causas sociais. Sem aquela voz. Ele falava das lendas de Hollywood com uma reverência absurda. 

Dizia: “Sabe onde você tá sentado agora? O Fred Astaire esteve aqui semana passada.” 

E falava da Elizabeth Taylor. A madrinha da Paris Jackson é Elizabeth Taylor. E ela foi muito ativa no movimento da AIDS. Deixou esse trabalho pra Elizabeth continuar.

A amizade foi evoluindo naturalmente. Ele estava gravando um vídeo. Acho que era Thriller. Ele chamou a gente para o set e eu fiquei no ônibus.

Falei para ele que curti muito as roupas do figurino e se ele se importava sobre eu experimentar. 

Ele: “De jeito nenhum.”

Foi assim que começou.

[Sobre as acusações

Eu não acredito nem por um segundo nas acusações. E aqui vai a boa notícia: nem o júri acreditou. Eles viram todas as provas, ouviram todos os depoimentos. Michael não era culpado. Fiquei muito satisfeito com o veredito.  

Michael era muito inteligente, sensível, falava muito, era muito verdadeiro. E muito sozinho. Ele não viveu muito depois de todas aquelas acusações. Mas eu sinto falta dele. Sinto falta daquelas conversas de madrugada."

Fonte: Sona Oganesyan interviews Elliot Mintz about his book | YouTube.