Aqui Michael não dançava. Ele vestia Plutão e acendia o palco.
O que você sente quando assiste Michael executar "Billie Jean"? Não é show. É ritual. Não é dança. É confissão. Repara: você prende a respiração junto com ele. Por quê? Michael entra de preto. Luto, noite, mistério. Mas o branco trai. Escapa pela camiseta sob o paletó. Grita na luva. Brilha nas meias. Pontos de alma costurados no breu. Ele não se esconde no escuro. O chapéu Fedora inclinado, cobrindo os olhos. Uma luva branca. As meias brancas. O resto é breu. Pisa no chão e você jura que a calçada vai acender.
A prova. Aqui não tem sorriso. Não tem floreio. Só tem pulso. Movimentos secos. Cortantes. Sem gordura. Ele bate. Para. Congela. Te olha da sombra do chapéu. E fica só a batida da trilha sonora. Grave. Subterrânea. Igual coração de Plutão.


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