The King of Style: Dressing Michael Jackson (26)


A percepção da perfeição

''Michael compreendia o poder da percepção: a manipulação das palavras e a troca do sentido. Se você chama algo de vídeo, não tem o mesmo peso se você chamar de curta-metragem. Michael sentiu o mesmo em relação à roupa. Só ele poderia transformar uma popular jaqueta Levi de cowboy em uma "jaqueta customizada".

[...] Nós originalmente fizemos uma jaqueta em lona branca a partir do corte de uma jaqueta Levi e com pedras de strass perfuradas. As bordas de metal eram pesadas e volumosas demais para alcançar a aparência sólida pretendida por Michael.

[...] O outro problema era que os dentes perfuravam o tecido e picavam a pele como uma agulha. [...] Quando Michael fez a prova, não gostou nada e a devolveu, meio que dizendo, ''Agora me faça uma de verdade." Para Michael, isso significava uma com pedras costuradas à mão.

Levaria milhares de cristais para cobrir toda a jaqueta, requerendo dezenas de lugares diferentes para comprá-los. Nenhuma loja no mundo teria tantas pedras de uma só vez. Teríamos menos de quatro semanas para fazer a jaqueta e comprei tudo em Los Angeles e New York, mas também tive que ir à Áustria, onde se produzem as pedras.

Costurar cristais é uma das formas de arte mais tediosas que existem. Costuramos 9.000 cristais na jaqueta com as nossas mãos dentro de 21 dias. [...] Cada momento gasto com agulha e linha valeu a pena quando vi o resultado. Em vez da lona comum, usamos lona branca para veleiros, que é mais leve. Revestida com pedras em três tamanhos, 5, 6 e 7 mm, o produto final parecia um espelho. [...]

A primeira coisa que eu fiz na parte da manhã foi ligar para o estúdio onde Michael estava gravando. Me pediram que eu fosse às 05:00, então eu tive que esperar o dia inteiro para vê-lo. 

Quando eu cheguei, os olhos de Michael se iluminaram enquanto eu caminhei em direção a ele com a jaqueta. Ele a tocou e sussurrou uma oração, dizendo: "Bem feita. O máximo. Gostaria de ter gravado com ela, hoje.''

Eu não quis delatar ninguém, mas não seria desonesto após acabar com os meus dedos por três semanas seguidas. "Você poderia ter feito isso, mas eles disseram que eu não deveria te incomodar, quando liguei esta manhã."

Não vou dizer que Michael estava com raiva porque ele não era assim, mas ele não estava exatamente feliz e disse que iria ter uma palavra com que pensou que a jaqueta não era importante o suficiente para interromper uma sessão de gravação, quando definitivamente era importante para ele.


Na mente de Michael, não era nenhuma surpresa que o mundo parasse por uma jaqueta, e logo nenhum de nós poderia saber que o mundo iria parar logo depois que ele a tivesse usado em 10 de Setembro de 2001, no especial de 30º aniversário no Madison Square Garden.


Naquela noite, tão generoso como sempre, Michael disse que queria dar a sua jaqueta para Aaron Carter, irmão de Nick Carter dos Backstreet Boys, que cantou I Want Candy. O garoto era jovem, fã e uma nova estrela promissora. Quando seu empresário resistiu, Michael me disse, ''Eles não compreendem. Fred Astaire me deu os sapatos e eu quero retribuir o favor."

Oito anos mais tarde, em 2011, Aaron Carter levou a jaqueta no episódio 9 de Dancing with the Stars.''



Não há nada de errado com isso

''A experiência de Michael em se fazer suas próprias roupas para o palco sempre esteve presente em seu estilo; particularmente em suas jaquetas. O figurino que ele usou em seu curta-metragem Bad foi comprado pronto em uma das lojas da Melrose. Ele simplesmente tinha um bom olho para as coisas que poderiam funcionar com um pouco de magia adicionada. 

Michael estava olhando pela janela e viu uma jaqueta e calça, entrou e comprou. Levou [as roupas] para a Qestern Costume Company na Melrose para que adicionassem fivelas e correntes e as vestiu no curta-metragem Bad.

Sabendo que ele teria que se apresentar ao vivo com as roupas que ele usava no vídeo, Michael pegou a jaqueta e nos pediu que a modificássemos par a próxima turnê, para que fosse fácil de usar, resistente, lavável e adequada para dançar com ela.


Para fazer a nossa versão de Bad, as peças vieram de quatro ou cinco lojas na Melrose Avenue e utilizamos gabardine elástica no lugar do algodão. O principal objetivo foi o de permitir que a jaqueta se adaptasse e trabalhasse melhor e transformar uma roupa de rua em roupa de palco. Para dar um visual mais rebelde, adornamos ao extremo a jaqueta, calças e luvas com o dobro de fivelas e correntes.

Para o especial de 30º Aniversário fizemos uma jaqueta em couro preto, mas a música foi descartada porque o concerto estava sendo demasiado longo.

Por Michael Bush (estilista de Michael Jackson)
Extraído do livro The King of Style: Dressing Michael Jackson

Fonte: MJHideout

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