O Rei na República Tcheca (04)


''As muitas pessoas que se reuniram na entrada do hotel, esperando por ELE, começaram por esquecer o que os cercava. Corajosamente, focaram nas portas da frente e o seu nervosismo crescia a cada minuto. Agora todos estavam por sua conta, todos haviam se tornado competidores.

Se vocês não soubessem o que eles estavam esperando, vocês teriam pensado que eles estavam à espera de conseguir algo para comer após três semanas de fome. A cena tinha algo de ameaçador, instintivo. Através da porta de vidro, nós podíamos ver as pessoas lá fora na chuva, as quais estavam super-alegres, gritando, acenando e lutando pelo seu lugar.

O motivo não estava à vista, mas nós sabíamos. Ele regressara e em poucos segundos esta confusão iria acabar aqui onde nós estávamos, na protegida entrada do hotel.

No dia anterior, a minha amiga e eu chegamos à capital da República Tcheca. Nenhuma de nós havia assistido a um concerto. E agora, tínhamos escolhido especificamente o maior de todos: a abertura da HIStory Tour de Michael Jackson. Associado a isso, havia fotos que conhecíamos de reportagens televisivas acerca das suas turnés anteriores. Então, com estas memórias televisivas de fãs aos gritos, pânico e exaustão inconsciente, nós fomos para Praga cheias de expectativa e nervosismo.

Afortunadamente, encontramos rapidamente alojamento. Muito antes de chegarmos à cidade, pôsteres gigantes nos saudavam e nos integravam naquele bom espírito. Era mesmo verdade - ele está aqui, temos bilhetes, iremos vê-lo! Até ali, era irreal e inimaginável. Apenas o conhecíamos da televisão, onde era sempre retratado como surreal, inalcançável e excêntrico. Como poderia ele estar aqui na mesma cidade que nós? Só precisávamos ir e pronto?

Rapidamente, largamos a bagagem no nosso hotel e fomos para o centro da cidade. Uma vez que não sabíamos exatamente onde era o Parque Letna, onde estava localizado o palco, nós fomos primeiro para o Hotel Intercontinental, onde já estavam reunidos centenas de fãs.

Nós suspendemos a respiração, isto era algo que nunca tínhamos visto antes! Então, rapidamente nos juntamos aos outros e nos unimos à confusão. Não tivemos que esperar muito. Apenas alguns momentos mais tarde, Michael Jackson em pessoa saiu do hotel. Parou brevemente, acenou e veio na nossa direção! Apenas à distância de um metro da barreira ele ficou mesmo à nossa frente, com o seu casaco vermelho, e deu alguns autógrafos.

Inacreditável! Você se senta no seu carro pela manhã, dirige durante algumas horas, se tortura pela capital Tcheca até encontrar alojamento e, duas horas mais tarde, o homem mais famoso do mundo está à sua frente. Eu continuo a adorar recordar este momento, a sua presença incrível e o fato de ele parecer baixo para mim.

O que poderia agora correr mal? Nós tínhamos acabado de chegar e já tínhamos tudo. Vê-lo na vida real uma única vez, me convencer que tudo isto era real, cobre a nossa paixão.

Michael havia deixado o hotel para ir ensaiar. Nós poderíamos agora calmamente procurar o Letna Park depois de comermos algo no restaurante da esquina. Encontrar o palco foi simples, o som estava suficientemente alto. O som típico do baixo era ouvido forte por toda a cidade.

Pelo caminho, escutamos Scream, Off The Wall, Billie Jean... Afinal, não fazíamos ideia do que poderia acontecer no dia seguinte. Nada, absolutamente nada se sabia acerca do show. Não havia internet que sussurrasse cada detalhe dias ou semanas antes. Como se fôssemos crianças, mal poderíamos aguentar a tensão, mas estava bem assim. Agradável como a internet é hoje em dia, por vezes eu a odeio, porque retira das pessoas o desconhecido, o encanto da novidade, o entusiasmo.

Então, juntamente com os outros fãs, nós ficamos atrás dos enormes portões pretos escutando os ensaios, os quais entraram pela noite dentro. Na manhã seguinte, nós estávamos de volta ao objetivo, e aqui foi quando conhecemos Ulrike de Rhineland. Ela estava ali sozinha, estava hospedada no mesmo hotel de Michael e nos convidou para nos juntarmos a ela.

Não poderíamos acreditar na nossa sorte, de repente, estávamos do outro lado da barricada. Lá fora, os outros fãs permaneciam à chuva, e nós estávamos confortavelmente sentadas na entrada do hotel bebendo um suco de laranja e esperando por ele. Rostos familiares da equipe de Michael passavam por nós. Bob Jones conversava no bar, alguns músicos estavam sentados a poucos metros de distância.

Michael estava na cidade e nós estávamos esperando por ele. Nós o vimos de perto, estivemos nos ensaios e claro, finalmente tivemos a ideia de conseguir um autógrafo. Eu me preveni com uma foto de Michael, encontrei uma caneta de feltro no nosso hotel e agora eu estava no meio da confusão da entrada, na minha opinião, em um ponto estrategicamente bom.

Eu escolhi um local por onde Michael inevitavelmente teria que passar a caminho do elevador, então eu esperava estar suficientemente perto. Agora, tudo se passou rapidamente, muito mais rápido do que eu gostaria. As portas se abriram e um grupo de guarda-costas entrou. Michael teria que estar no meio deles. Pelo menos, eu consegui ver a eles dando autógrafos. Ele ainda não tinha uma caneta, mas eu tinha uma! E sim, de fato, ele a viu e veio direito para mim.

Naquela altura, eu pensei que tinha conseguido, mas o que era aquilo?? Uma mão agarrou o meu postal e a caneta! Mas não era a mão de Michael! Um dos guarda-costas percebeu o seu pedido e lhe deu a caneta. No entanto, Michael não fez nada do que eu esperava, voltou uns passos atrás e assinou álbuns, livros e mapas, então regressou para perto de mim - passando por mim - direito ao elevador.

Que impertinência, eu pensei, ter perdido o cartão e a caneta emprestada à frente dos meus olhos. Então, ali estava eu na confusão empurrando seis ou oito guarda-costas e implorando pelo meu cartão. O elevador abriu e ainda vi Michael desaparecer com a minha "propriedade" emprestada.
Mas, por fim, o inesperado aconteceu. Eu vi uma mão por cima de mim com o meu cartão autografado!

De quem era a mão, nunca saberei. Mas Michael não se esqueceu de mim e eu tinha agora recebido algo dele pessoalmente, um rabisco ilegível no meu postal, o qual, com um pouco de imaginação, poderia ser identificado como "Michael Jackson". O cartão desapareceu para dentro do meu bolso imediatamente, porque os fãs à minha volta estavam descontrolados e eu tinha que estar preparada para tudo. Ele ficou com a caneta, claro...

Aquelas foram as minhas primeiras experiências reais e mais intensas durante o meu tempo como fã. Nunca serão superadas. Mas nunca aspirei mais. Ele me deu tudo o que poderia dar. Eu estava e estou satisfeita. Nunca conseguirei compreender a forma descuidada como alguns fãs importunavam o ser humano Michael Jackson, apenas para estar próximos ou agarrar algo dele. Juntamente com amigos, eu tive a experiência de assistir a sete concertos, as bonitas experiências em Praga e nos outros concertos que jamais esquecerei.

Em 2002, Michael veio à Alemanha novamente. Eu me diverti durante a sua estadia, na retaguarda, e fiquei profundamente chocada pelo egoísmo dos homens. Eu assisti ao descontentamento e ao capricho de um realizador de filmes que não conseguiu obter o "material" que queria. Ele até organizou uma festa de fãs para filmar Michael com os seus fãs e eu vi fãs egoístas que imploraram para Michael visitar a festa, no entanto, a discoteca escolhida não tinha segurança suficiente e os próprios organizadores pareceram ser bastante desorganizados e muito forçados.

Primeiro, não havia lá ninguém para vender os bilhetes e os bilhetes ''especiais'' foram vendidos apesar de não haver prêmios. Não existia nenhum programa do show. A festa foi um fiasco e ninguém cuidou da segurança de Michael. A nossa equipe telefonou ao diretor de Michael, que já quase estava a caminho da discoteca com Michael, para o avisar e cancelar a visita. Esta decisão não foi fácil para nós, mas a [segurança da] pessoa era mais importante do que a personalidade.

Após todas estas experiências, eu decidi me retirar quase inteiramente de cena como fã, apesar de ter sido uma das fãs mais ativas atrás das cenas durante anos. Eu não poderia continuar a suportar fãs e pessoas de negócios que inconsequentemente arriscavam com o objetivo de conseguir o seu pedaço do bolo.

Hoje, continuo a gostar de ouvir a sua música única e a sua morte me atingiu de uma forma mais dura do que eu esperava. Previamente e ocasionalmente nós já havíamos pensado no assunto, como seria - mais tarde. Claro, é diferente.

Até agora, continua a ser difícil de compreender muitas reações e opiniões. A passagem de Michael Jackson se tornou um evento para a mídia em todo o mundo. Pessoas que o ridicularizaram antes, são agora repentinamente seus seguidores. As pessoas seguem a tendência, no nosso mundo paradoxal agora é moda comprar e ouvir a música de MJ. Rapidamente, todos querem "ir" com isso, publicar uma biografia, organizar um concerto, aparecer na TV - antes que a fonte de dinheiro seque.

Eu retiro o álbum Dangerous da capa, mergulho dentro das memórias, dentro da maravilhosa música. As notícias se desvanecem enquanto a música preenche o quarto e a mim. As imagens na minha mente são as últimas imagens de Michael em movimento, quando ele ensaiava para This Is It.
Ele está altamente animado, cheio de alegria e expectativas, rindo. Eu me sinto bem.''

*Depoimento da fã Olaf Haensch no livro It's All About Love

**As imagens de Michael dentro do hotel na República Tcheca
   se encontram aqui

Fonte: http://forevermichael.forumeiros.com

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