As Memórias de Corey Feldman (05)


Texto extraído do livro Coreography: A Memoir de Corey Feldman

[Corey e Michael vão visitar a Disney]

''Com o seu Mercedes fomos para Westwood, no seu apartamento em Wilshire Boulevard.

"Nós paramos aqui, apenas para nos disfarçarmos", disse Michael, estacionando na garagem subterrânea. Eu não imaginava que Michael tivesse um apartamento. Nós utilizamos o elevador de serviço para chegar até o sótão, e quando entramos no apartamento, percebi que ele estava vazio.

No centro da sala havia uma mesa e uma cadeira - em um canto uma pequena mesa de jantar, e não havia mais nada. Mas o armário estava cheio de coisas. Michael tirou perucas, bigodes falsos, maquiagem de palhaço, narizes falsos e chapéus. Para evitar o reconhecimento quando ele saísse, às vezes, ele usava essas roupas estranhas para se misturar entre as pessoas. Enquanto ele remexia no armário, eu olhei em volta.

Na parede estava pendurado um grande espelho, onde estava escrito com lápis de cor uma lista de nomes de músicas, as quais ele pensava colocar em seu novo álbum. Depois de tudo ele tinha escrito: "100 milhões de cópias?"

Michael era muito obcecado com a ideia de que Bad teria que vender mais cópias do que Thriller, apesar de muitas pessoas na indústria da música ter dito a ele que era impossível. [Depois de mais de 30 anos, desde o lançamento, Thriller continua a ser o álbum mais vendido na história.] Perto do espelho na parede estavam anexadas notas com alguns de seus pensamentos. Eu não poderia acreditar que mesmo o Rei do Pop, às vezes, teria que lidar com a insegurança.

Michael escondeu os cabelos em um rabo de cavalo sob uma peruca afro gigante com óculos de sol, nariz e bigode, e nós fomos para a Disney como dois caras normais. [No entanto, ele ''se entregava'' ao usar seus sapatos pretos tradicionais, meias brancas, casaco vermelho emparelhado com uma camiseta com gola "V." Eu não tenho a menor ideia de como conseguimos passar despercebidos.]

Tendo vagado pelas diferentes lojas de presentes e visitado todo o parque, nós entramos na Videopolis, uma mega discoteca para adolescentes. Aqui estamos nós, em meados dos anos oitenta, Michael Jackson e Corey Feldman, misturado com uma multidão de jovens. Eles estavam tocando uma música da Madonna e eu disse a Michael que eu queria dançar.

"Você está louco?"

"Oh, vamos lá", eu disse. "Tudo vai ficar bem."

"Você sabe o que aconteceria se nós fôssemos reconhecidos?''

"Bem, não dance como Michael Jackson", eu disse. "Basta agir como uma pessoa comum."

"Corey!" Ele disse com um olhar confuso, e eu percebi que ele estava certo.

Nós ficamos na Videopolis até o fechamento do parque à meia-noite. Michael, no entanto, não queria ir para casa e decidimos passar a noite em um hotel na Disney, mas chegando até o balcão, fomos informados de que não havia vagas disponíveis.

"Eu ficaria muito grato se você pudesse nos ajudar", disse Michael. Ele foi educado, informal e não fez qualquer reivindicação, como alguns poderiam esperar de alguém tão famoso.

"Sinto muito, senhor. Estamos totalmente lotados.''

Michael olhou para mim e suspirou. "Eu não fiz isso" - ele disse, a princípio.

Ele pegou sua carteira e tirou uma carteira de motorista e um cartão American Express, com as palavras Disney e Michael Jackson gravadas em letras douradas. Ele colocou tudo no balcão. O atendente estava prestes a sufocar e morrer. Seus olhos saltaram das suas órbitas.

"Oh, me desculpe, senhor", ele gaguejou, procurando alguns papéis. "Um momento, por favor. Vou ver o que eu posso fazer."

Eu não sei se algum infeliz foi jogado para fora do quarto no meio da noite ou qualquer coisa, mas depois de alguns minutos, nós fomos escoltados para uma pequena sala no segundo andar, do tamanho de uma despensa.

Alguns podem pensar que Michael Jackson insistiu em ter algo mais luxuoso, uma suite dupla, mas para todas estas coisas ele não dava muita importância - ele estava feliz por ter obtido pelo menos um quarto. No entanto, quando ele viu que o quarto tinha apenas uma cama, imediatamente, ele pegou o telefone.

"Precisamos de uma cama extra.''

E ele insistiu que eu dormisse na cama principal.

Muitas vezes eu dormia na casa em Hayvenhurst, mas geralmente eu estava saindo cedo na manhã seguinte. Então, eu fiquei surpreso quando Michael acordou, e ele estava bem disposto, como se tivesse passado a noite em sua própria cama, e ele disse:

"O que você vai fazer hoje? Nós podemos organizar algo divertido!"

Infelizmente, eu tive que ir para casa.

"Meu pai me obriga a fazer trabalhos extras para ganhar algum dinheiro extra", eu disse. "Hoje eu tenho que aparecer no game show."

Michael olhou para mim estranhamente:

"Que tipo de show?"

"Tic Tac Toe [Hollywood Squares]."

"Corey! Não! Você não tem que fazê-lo. Este é um erro enorme!"

"O que você quer dizer?"

"Este é um tipo de show para as pessoas cuja carreira acabou. Eles são para pessoas que não têm mais oportunidades de trabalho em suas vidas. Enquanto que você está no início de sua carreira. Você tem que se concentrar em projetos sérios e importantes. Por favor, não participe neste show.''

Eu sabia que ele estava correto.

"Mas isso não depende de mim", eu disse. "Esta é uma decisão do meu pai. Ele é o meu gerente."

"Você deveria falar com ele."

"Bem, talvez se você falar com você, ele lhe ouça.''

"Ok", disse Michael. "Eu vou chamá-lo."

Assim, Michael Jackson deu conselhos para o meu pai. Eu fiquei desapontado com o fato de que meu pai ignorou completamente as suas palavras. Ele explicou a Michael que ele já tinha concordado tudo para as filmagens.

"Eu prometi que meu filho iria participar, e então ele vai estar lá." Eu ouvi a voz rouca dele através do telefone.

Michael me entregou o telefone; a expressão em seu rosto parecia dizer: "Bem, eu tentei."

Ele me levou para casa e eu fui para o show, como esperado. Essa foi a última vez que eu passei ''muito tempo'' com Michael. Claro, nós nos encontramos outras vezes desde então, mas já não compartilhávamos momentos despreocupados como naquela noite - sair, se divertir - apenas nós dois.''

Nota do blog

 A minha tradução se encerra aqui, mas em um breve resumo para esclarecer sobre o final da amizade entre Corey e Michael Jackson, mais adiante Corey conta que durante os concertos do 30º aniversário, Michael o chamou para conversar em particular e lhe perguntou se era verdade que Corey pretendia escrever um livro para caluniá-lo.

Segundo Corey, as palavras exatas de Michael foram: ''Me disseram que você irá escrever um livro sobre mim, onde você fala todos os tipos de coisas terríveis contra mim."

Corey conta que não compreendeu de onde surgiu tal história, e a negou totalmente para Michael. A partir daí, Michael Jackson nunca mais procurou por Corey ou lhe telefonou.

Isso tudo, é claro, segundo a palavra de Corey nesta biografia.

Esta conversa aconteceu durante o segundo concerto do 30º aniversário em 10 de Setembro de 2001. Na noite do primeiro concerto, em 07 de Setembro de 2001, eles registraram a fotografia abaixo.

Yoko Ono, Susie, Michael e Corey 
no restaurante Tavern on the Green.



Corey citou no livro:
''Michael tinha organizado no restaurante Tavern on the Green, no Central Park, uma festa com "champanhe e caviar." Estiveram presentes as personalidades mais importantes do show, de Gloria Estefan a Elizabeth Taylor e Marlon Brando. Em um ponto, Sean Lennon me convidou para tirar uma foto com Susie e Michael. Esta foi a última fotografia partilhada.''
Parte 1

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