6 de novembro de 2012

O Rei na Coreia do Sul: o encontro com Sr. Kim Dae Jung


 Kim Dae Jung prepara um manuscrito para Michael Jackson 


O mundo perdeu um herói e a Coreia também perdeu um amigo querido
(Kim Dae Jung)


Em 21 de Novembro de 1997, Michael Jackson chegou em Seul (Coreia do Sul) e se reuniu com o então candidato presidencial do Congresso Nacional para a Nova Política, o Sr. Kim Dae Jung.

Michael anunciou sua intenção de organizar um show beneficente para as crianças da Coreia do Norte (referindo-se ao futuro concerto Michael & Friends).


 Kim Dae Jung presenteia
Michael  Jackson com sua própria caligrafia


Michael também falou sobre o projeto de uma música sua, chamada Stop the War* (Pare a Guerra), idealizada para que a sua renda fosse convertida para a caridade, em referência ao conflito entre a Coreia do Norte e Coreia do Sul.

"Eu pensei sobre este projeto com muito cuidado. Eu realmente acredito que podemos fazer alguma coisa por este país", disse Michael.




No ano seguinte, Kim Dae-Jung venceu as eleições presidenciais. Michael retornou a Seul e participou da sua cerimônia de posse, em 25 de fevereiro de 1998, na Casa Azul. Michael permaneceu em Seul de 20 a 27 de Fevereiro daquele ano.






Entre chefes de estados, Michael celebra
a posse do presidente Kim Dae-jung




















Michael elogiou o compromisso de Kim Dae-Jung com as crianças e voltou a falar sobre o projeto do concerto beneficente.

(De fato, em Junho de 1999, os concertos de Michael & Friends aconteceram em Seul e Munique, levantando vários milhões de dólares para instituições de caridade para crianças.)


A carta que Michael entregou ao presidente eleito




31 de Dezembro de 1997

Presidente eleito

Kim, Dae Jung

República da Coreia 


Querido Sr. Presidente Kim


Eu lhe ofereço as minhas mais sinceras e calorosas congratulações em sua vitória. Eu não posso expressar de forma suficiente a felicidade e a alegria que eu senti quando eu ouví a notícia. 


Sua vitória não é somente a vitória do seu compromisso e dedicação ao longo da vida com a democracia, mas também a vitória de seu povo e nação.


Eu não posso pensar em uma pessoa melhor e mais merecedora que o senhor para liderar a Coreia dentro do próximo século.


Eu compreendo que a Coreia está passando por tempos difíceis. Eu estou certo de que a sua sabedoria, liderança e amor pelo seu povo e nação irão liderar a Coreia através dessas dificuldades. 


Como sempre, eu ficarei ao seu lado para ajudá-lo a superar todas as dificuldades que sua nação enfrenta. 


De minha parte, eu pretendo incluir um(a) cantor(a) coreano(a) em minha nova gravação What More Can I Give, que será a canção-tema do meu concerto beneficente para ajudar as crianças da Coreia do Norte. 


Eu penso que a participação de um cantor coreano ajudará a restaurar o orgulho do povo da Coreia.


Mais uma vez, eu gostaria de expressar minhas congratulações e junto com meus amigos lhe oferecer nossos melhores votos. Eu realmente acredito que o senhor será um dos históricos líderes do século 21.


Sinceramente se

u,

Amor

Michael Jackson

(Nota: carta escrita em papel timbrado do rancho Neverland)




Um vídeo com Michael Jackson na Coreia do Sul em 1998:





Um dia depois da morte repentina de Michael Jackson, o então ex-presidente Kim Dae-Jung declarou:

¨O mundo perdeu um herói e a Coreia também perdeu um amigo querido, que mostrou interesse e apoio pela unificação da península coreana. O povo coreano está de luto.¨



Mais imagens deste momento histórico wue foi a visita de Michael Jackson à Coreia do Sul 











































Mas porque Michael Jackson admirava e apoiava abertamente o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Sr. Kim Dae Jung?




Kim teve uma vida turbulenta, abrangendo várias décadas de política sul-coreana - de um regime autoritário duro, através do crescimento econômico dramático e emergência do país como um Estado democrático.




Kim ganhou destaque na década de 1960, e em 1971 perdeu por pouco a eleição presidencial para Park Chung-hee, que havia tomado o poder há 10 anos em um golpe militar. Havia evidências muito fortes de fraude nas eleições, favorecendo a Park.




Durante as décadas de governo militar que se seguiram, Kim foi citado como um radical perigoso. Ele passou muitos anos na cadeia e em prisão domiciliar, sobreviveu a várias tentativas de assassinato e por duas vezes, fugiu para o exílio.

Dois anos depois de sua corrida para a presidência, Kim foi sequestrado por agentes secretos sul-coreanos em um hotel de Tóquio, em 1973. Acorrentado e com os olhos vendados, ele foi levado em um barco indo para a Coreia do Sul. Ele suspeitava que seria jogado no mar para  parecer que teria morrido nas mãos de agentes norte-coreanos.

A CIA americana e funcionários do Japão souberam da trama e os Estados Unidos enviaram um avião para encontrar o barco. Com os sequestradores em flagrante, a vida de Kim foi poupada e ele foi levado para casa e colocado sob prisão domiciliar.




Mas, finalmente, em dezembro de 1997 - em sua quarta tentativa - ele foi eleito presidente da Coreia do Sul.


Nelson Mandela e Michael Jackson em apoio a Kim Dae Jung



No início de seu mandato, a sua prioridade era a economia, que estava à beira da ruína depois de anos de crescimento espetacular.


Um momento histórico: Kim Dae-Jung conhece o líder da Coreia do Norte


Mas ele é provavelmente mais conhecido por seus esforços para reconstruir as relações com seu país vizinho distante, a Coreia do Norte. Em 2000, ele conheceu o líder do Norte, Kim Jong-il, em Pyongyang, para um encontro histórico.




Na imagem acima, Kim Dae-Jung recebe o Prêmio Nobel da Paz em 2000.




Kim Dae-Jung veio a falecer dois meses após Michael Jackson, em 18 de Agosto de 2009, aos 85 anos de idade.

Seu sucessor, Roh Moo-hyun, manteve a sua política, mas o atual presidente Lee Myung-bak, colocou mais restrições. As duas nações ainda mantêm uma relação tensa.


* Nota: a canção Stop The War mencionada por MJ no início da matéria foi gravada em 1999 para o álbum Invincible e permanece inédita.










Pesquisa, tradução e edição: Rosane M.

Material de acervo | Curadoria: Cartas para Michael @ 2012. Proibida reprodução sem crédito.