Me colocaram em um setor pouco habitual, perto dos aviões de carga, praticamente dentro da pista. A informação era difusa: ninguém sabia com certeza por onde ele apareceria. A espera tinha algo de tensão e de ritual. A um lado, um grupo de crianças vestidas com trajes folclóricos da zona central ensaiava um pé de cueca* que talvez nunca acontecesse. Estava tudo disposto, mas nada confirmado.
E de repente, sem anúncio nem cerimônia, lá estava. Caminhando sobre a laje, a poucos metros de onde eu estava, apareceu Michael Jackson. Ele se deslocava como em seus vídeos: leve, contido, quase suspenso em seu próprio ritmo. Um guarda-sol branco, translúcido, dava à cena um ar de videoclipe improvável no meio do aeroporto.
Eu tinha nas minhas mãos uma Nikon F3 carregada com diapositiva Ektachrome de 100 ASA. Eu sabia que essa imagem poderia ser capa. No ombro, a FM2 pronta com Ilford HP5, 400 ASA, caso a cena pedisse outra textura, outra linguagem.
Mas aquele momento era colorido. Eu o olhei durante alguns segundos que pareceram mais longos do que o ofício permite. Diante de mim não estava só uma estrela: estava, talvez, o maior criador musical de seu tempo. Então voltei a ser fotógrafo. Levantei a F3, a 300 mm já enquadrada, e disparei com uma mistura de precisão e nervosismo. Não havia margem de erro. Eu sabia que essa imagem não era só uma foto: era a possibilidade de capturar um instante irrepetível... e de levá-lo direto para a capa."
Eu tinha nas minhas mãos uma Nikon F3 carregada com diapositiva Ektachrome de 100 ASA. Eu sabia que essa imagem poderia ser capa. No ombro, a FM2 pronta com Ilford HP5, 400 ASA, caso a cena pedisse outra textura, outra linguagem.
Mas aquele momento era colorido. Eu o olhei durante alguns segundos que pareceram mais longos do que o ofício permite. Diante de mim não estava só uma estrela: estava, talvez, o maior criador musical de seu tempo. Então voltei a ser fotógrafo. Levantei a F3, a 300 mm já enquadrada, e disparei com uma mistura de precisão e nervosismo. Não havia margem de erro. Eu sabia que essa imagem não era só uma foto: era a possibilidade de capturar um instante irrepetível... e de levá-lo direto para a capa."
Por Carlos Espinoza (fotógrafo chileno) em sua rede social.
Nota do blog*: "pé de cueca" é o nome de uma dança nacional chilena.
💫 Se você quiser ver as fotografias de Michael Jackson nesta mesma viagem, visitando crianças chilenas no hospital, só clicar aqui ☺️

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