Uma entrevista ao Libération


Uma entrevista concedida por Michael Jackson
ao jornal francês Libération em 1988

Depois da “laranja mecânica” holandesa, o furacão Michael Jackson prossegue sua turnê pelos estádios da Europa, deslocando uma avalanche de espectadores e dólares. A última escala foi em Hamburgo, no sábado à noite, quando 55 mil alemães ocidentais se renderam voluntariamente aos encantos do Bad Boy tão efusivamente que 500 deles foram parar no serviço médico, dos quais 20 seguiram dali direto para o hospital.

Na segunda e terça-feira passadas o cantor passou por Paris e sacudiu o estádio “Parc des Princes”, reunindo cerca de 60 mil pessoas em cada apresentação. No caixa: US$ 3,3 milhões pelos dois shows.

Além dos acordes e das palavras do astro, o artefato Jackson é mantido no ar por simples mistério. A entrevista que se segue foi publicada pelo diário frânces Libération no dia da estreia do show em Paris, como parte de um dossiê sobre o astro: “Sete páginas para continuar a não entender nada do mistério Michael Jackson”, confessava o jornal. 

Um mistério cuidadosamente cultivado pelo mega star com respostas lacônicas e recusas terminantes, em especial quando o assunto é a sua vida particular - ou negócios, como ele abertamente admite ao ser perguntado sobre seus planos referentes a atuação no cinema. “O futuro é que esclarece nossos atos, para nós mesmos, assim como para os outros”, ele se esquiva. 

Ele fala das mulheres que têm lugar em sua vida - a irmã Janet, Diana Ross, Liz Taylor - e, com a autoridade de quem vendeu quase 15 milhões de cópias do LP Bad [segundo a gravadora Epic], diz que só quer “dar prazer aos outros” e lhes deseja unicamente paz e saúde, “os bens mais preciosos”.

Libération: Depois da Victory Tour com seus irmãos, se falava que você não faria mais concertos. E agora, este ano, você está fazendo concertos solo...

Michael Jackson: Fazia muito tempo que eu não subia em um palco, eu estava com muita vontade de recomeçar. Cada etapa foi cuidadosamente planejada, segundo minhas determinações.

Libération: Nós devemos ver  aí um sinal de que você está menos introvertido nesses últimos tempos?

Michael: Eu não vou me curar nunca da minha introspecção... mas, afinal, eu não acho que isso seja assim tão ruim. Ser reservado e mesmo assim ter confiança em si é uma virtude, notadamente no Japão.

Libération: Você está em vias de preparar um novo filme [Michael Jackson representou o espantalho em The Wiz, em 1978]. Você discutiu isso com Francis Ford Coppola, que realizou recentemente o filme Captain EO ou com Steven Spielberg, que o procurou para seu projeto de Peter Pan?

Michael: Ainda é muito cedo para falar de tudo isso. Sem querer assumir ares misteriosos, como se trata de uma questão de negócios, não posso fazer qualquer declaração. Tudo o que eu posso lhe dizer é que esse filme trará uma mensagem de paz.

Liberátion: Você está satisfeito com Captain EO? Como foi que o filme chegou, finalmente, ao parque de diversões Disney?

Michael: Estou muito contente com ele: todos nós tínhamos trabalhado muito lá. Adoro os efeitos especiais e a mensagem do filme.

Liberátion: Dizem que o filme não pôde ser mostrado na Disney de Tóquio porque você tinha exigido direitos elevados demais?

Michael: Absolutamente.

Libération: Existe a possibilidade de que uma outra Disney seja construída nos arredores de Paris, onde vive sua amiga Diana Ross. Não estaria você também planejando se instalar na Cidade-Luz?

Michael: Eis duas excelentes razões para vir à França, mas não alimento nenhum projeto nesse sentido para o momento.

Libération: Você encontrou Diana Ross na época em que ela “descobriu” os Jackson 5, quando você tinha dez anos. Vocês permaneceram muito ligados?

Michael: Sim, muito próximos. Quando não nos vemos, falamos por telefone. Diana vive em Connecticut com seu marido norueguês, Arne Naes, e o filho.

Libération: Você tem planos de voltar a fazer discos com ela, por acaso?

Michael: Compus algumas canções para Diana, mas não cantamos juntos há décadas. Nós estamos de fato juntos, todo o tempo, espiritualmente, nós cantamos em uníssono.

Libération: Você se afastou finalmente das Testemunhas de Jeová, depois de ter se engajado bastante nessa causa?

Michael:: Esse assunto diz respeito somente a mim.

Libération: É uma seita de orientação ultraconservadora... As Testemunhas de Jeová ficaram aparentemente constrangidas com sua imagem pública; você os deixou por sua própria conta ou...?

Michael: O futuro é que esclarece nossos atos, para nós mesmos assim como para os outros. Mas, uma vez mais, eu não desejo abordar esse capítulo de minhas convicções espirituais, por enquanto.

Libération: Mas o que se diz é que para escrever suas músicas, você põe sua inspiração na "Consciência Universal", que outros chamam de Deus. A sua inspiração vem de Deus?

Michael: Pode ser interpretado dessa maneira. Mas não quero fazer qualquer comentário sobre isso.

Libération: Já que nós estamos nisso, o que você responde quando alguém lhe diz que sua irmãzinha evolui da mesma maneira que você?

Michael: Penso que existe um estilo Jackson e que Janet conseguiu, enfim, fazer aquilo que ela queria.

Libération: Como você reage quando alguém lhe observa que ela é mais masculina do que seu irmão Michael?

Michael: Janet será sempre ela mesma e, como o resto da família, tem muito talento. De fato, é o público que forma sua opinião e quem decide sobre o que interessa ou não, para ficar com aquilo que mais ama.

Libération: Você tem outras amigas, mulheres, em sua "entourage"... mais próxima?

Michael: Todo mundo é meu amigo.

Libération: Você se tornou muito amigo de Liz Taylor. Se diz que frequentemente você vai até Hollywood para vê-la e que ela o visita em sua casa de Encino.

Michael: Miss Taylor é uma mulher muito inteligente, muito curiosa e muito interessante.

Libération: Ela fez muita campanha pela pesquisa sobre a AIDS; você chegou a pensar em ajudá-la nesse esforço?

Michael: Este é um dos assuntos mais preocupantes desses últimos anos e bem merece que alguém se dedique a ele. Moralmente e financeiramente.

Libération: Você se sente entediado quando os meios de comunicação anunciam que Michael Jackson vale mais que um bilhão de dólares?

Michael: Não acho isso muito interessante... A imprensa escreve todo tipo de coisas, mas esta não é a pior que ela pode escrever. De qualquer maneira, não leio nem um décimo delas. Se um jornalista ou um crítico têm verdadeiramente o desejo de comunicar seu desejo aos consumidores, eu acho isso muito bom, mas não tenho vontade de levantar questões sobre as motivações das críticas que não me são favoráveis. Prefiro me concentrar sobre meu trabalho: dar prazer aos outros.

Libération: Sua popularidade vai muito além disso... Por exemplo, você quase conseguiu tornar a androginia respeitável.

Michael: Cada um tem o direito de ser ele mesmo, de ser único.

Libération: Na qualidade de estrela super individualista, o que é que você mais deseja no futuro?

Michael: Paz e saúde para todo mundo; estes são os bens mais preciosos.

Tradução: O livro ''As várias faces de Michael Jackson'' de Marcílio Costa da Silva

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