''Michael Jackson, um diamante humano''

Neste 25 de junho, a data que marca o décimo ano da passagem de Michael Jackson, eu escolhi republicar o que eu considero um dos textos mais bonitos que eu já li sobre este ser humano exemplar. Fala sobre a compaixão, a bondade, a generosidade e a verdadeira empatia que sempre habitaram a alma de Michael Jackson. 


Ex guarda-costas de Michael Jackson revela sobre viagem secreta
e humanitária que o Rei do Pop fez ao continente africano em 1986

"Eu não perdi um patrão, perdi um amigo... Michael tinha esse dom que fazia que quando você o conhecesse, você se tornasse melhor, e foi isso que aconteceu comigo. Percorri o mundo com o Michael por quase 25 anos. Tudo começou no verão de 84, Michael era então um cantor planetário com o sucesso do álbum Thriller, ele iniciava a turnê Victory* com seus irmãos, e foi aí que eu fui colocado em contato com ele, por meio do meu tio Bill, amigo de Michael.

Eu me tornei guarda-costas de uma celebridade. Eu tinha apenas 20 anos, tenho 48 hoje, Michael tinha 25. Ele me recebeu com os grandes braços abertos, e me deixou logo à vontade, dizendo: "William, você está em sua casa, se precisar de alguma coisa, apenas peça.''

Michael Jackson, um diamante humano.
Eu não sabia o que dizer, foi a primeira vez que tinha na minha frente uma pessoa tão calorosa e respeitosa, também multimilionária e muito famosa. Geralmente nesse meio as pessoas são arrogantes e lhe desprezam. Michael me recebeu sorrindo, muito acolhedor, e confiou em mim imediatamente.

Michael era assim, um sorriso que iluminava tudo na sua passagem. Durante meses, eu o acompanhei a sessões de entrevistas, encontros, e nomeadamente um dia memorável foi aquele em que ele foi visitar um grande campeão, Muhammad Ali. Eu que sou desportista, foi um bom momento de conhecê-lo. Ali e Michael eram muito bons amigos, até o desaparecimento deles se falavam muitas vezes ao telefone.

No Natal de 84, Michael me entregou um cheque de 30.000 dólares quando soube que eu tinha problemas financeiros. Ele pagou as minhas dívidas e me deu um prêmio para eu poder comemorar o Natal na casa da minha família em Cleveland.

Quando saiu We Are The World - USA for Africa*, ele angariou vários milhões de dólares para combater a fome na África, mas ele ainda queria fazer mais. Ele falava comigo, muitas vezes, quando nós fazíamos os caminhos de volta dos estúdios e me dizia: ''Temos que fazer alguma coisa, não podemos deixar as pessoas morrerem de fome! É desumano comer sua refeição enquanto crianças sofrem de desnutrição na África e no mundo! Tenho que fazer alguma coisa, temos que mudar o mundo, salvar as crianças!"

As crianças tinham um grande lugar na sua vida, ocupando mesmo toda a sua vida. Ele as amava no mais profundo do seu coração, porque ele mesmo mantinha a sua alma de criança.

Em 1986, ele partiu em segredo para a África, providenciou 20 milhões de dólares e me disse uma noite: ''William, você já foi para África? Vem comigo!"

Nós viajamos em um avião privado numa noite de inverno, às 3 horas da manhã. Michael estava todo entusiasmado com a ideia de vir em ajuda a este continente. Ele tinha comprado uma espécie de disfarce de beduíno, que cobria todo o seu rosto, para não que ninguém o reconhecesse.

Fomos às aldeias do Senegal, do Congo, depois fomos para Ruanda, ao Burkina Faso, e na África do Sul, onde Michael estava disfarçado de beduíno, entregou somas de dinheiro às mães de famílias muito pobres da aldeia. Deu a cada uma delas 5.000 dólares.

Depois gastou 1 milhão de dólares para a construção de 4 Hospitais, e 5 milhões de dólares para a construção de poços de água, orfanatos e escolas. De volta aos EUA, Michael tinha gasto 20 milhões de dólares e estava muito feliz, muito cansado de ter percorrido o continente. Ninguém nunca soube que aquele misterioso doador de quem todo mundo falava nas aldeias era Michael Jackson. 

Durante anos, Michael me pediu para escoltá-lo em lugares diversos! Um dia fomos em pleno coração do Harlem, e eu disse para Michael: "Você não tem medo aqui?!", e ele respondeu: ''Harlem é o bairro dos nossos irmãos desfavorecidos, temos que ajudá-los, William, as pessoas são gentis.''

Michael chegou lá sozinho, comigo como amigo, ele me dizia: "Não seja meu guarda-costas aqui, seja meu amigo.'' 

As pessoas ficaram muito impressionadas em ver a maior estrela do mundo na frente deles. Elas contaram para ele sobre as dificuldades do bairro, sobre a pobreza, da fé em Deus, e ele lhes entregou sacolas repletas de comida e deu aos moradores do bairro caixas de medicamentos, alimentos, e caixas de livros. Ele deixou para trás um cheque de 100 mil dólares para a renovação da igreja do bairro, e para construir uma escola materna e primária, mais um cheque de 300 mil dólares!

Um dia ele quis ir para a Disney, disfarçado de pessoa idosa. Ele me disse para deixar ele caminhar sozinho no parque, e se alguma vez ele fosse descoberto, criaria um tumulto no parque.

Eu o segui discretamente de longe. Michael disfarçado, observando as pessoas, dava comida aos pássaros, e comprava algodão doce para todas as crianças que ele via. Também comprou sucos de fruta e leite para os bebês. Em algum momento, uma criança de 6 anos a quem ele tinha oferecido uma rosquinha de chocolate o olhou diretamente nos olhos, e gritou "Michael??!!! Michael Jackson!" e aí, várias crianças começaram a correr para ele,

Michael pegou a todas em seus braços. Mas, de repente, uma maré humana brota ao gritar "Michael", uma centena de pessoas se dirigia para ele, Michael se pôs a correr, eu estava muito longe para agir. 

Correu muito rápido, e na sua passagem, um desabrigado que tinha conseguido entrar no parque exclamou, "Michael, estou com fome!", e Michael deu meia volta, pegou o homem pela mão e juntos eles correram se refugiar em um restaurante do parque de diversões.

Chegando ao restaurante, ficamos eu, Michael e o desabrigado sentados a uma mesa. Os servidores olhavam para o desabrigado com indiferença, e Michael disse: ''Podem ser simpáticos com o meu convidado, por favor? Lhes traga o melhor prato, e o maior bolo de chocolate que vocês tiverem.''

O desabrigado estava muito emocionado com a gentileza de Michael, ele agradeceu calorosamente. Antes de ir embora, Michael perguntou a ele: ''Você tem onde dormir?"

"Não senhor, mas eu me arranjo, você já fez tanto por mim, eu não tinha comido tão bem há anos... "


"Não me chame de 'senhor', me chame Michael, eu não vou deixar você assim!'', respondeu Michael, que lhe pagou um mês de hospedagem em um quarto luxuoso do hotel na Disney. Ele deixou para o homem 10.000 dólares em notas e lhe conseguiu trabalho numa loja, como vendedor de brinquedos.

Este tipo de ações tornava Michael único. Onde quer que ele fosse, ele tornava as pessoas felizes ao seu redor. Ver uma pessoa pobre ou doente lhe causava dor. Perdi a conta do número de vezes que ele me pediu para levá-lo a visitar os hospitais infantis. Um dos seus grandes projetos era criar o maior hospital infantil do mundo. Ele doou tanto. 

Um dia, ele foi para a China, deu 400 mil dólares a uma aldeia cujas famílias viviam na miséria. Graças a Michael, as crianças puderam ser escolarizadas e foram tiradas das necessidades. Ele queria financiar escolas, hospitais e orfanatos, ele que tanto deu, ainda ia dar muito do seu tempo, do seu coração, do seu dinheiro para ajudar as crianças, os infelizes no mundo. 

Ele ia se dedicar a isso, é por isso que ele declarou que os concertos de Londres em 2009 seriam os seus últimos. Porque depois disso, ele ia se dedicar a ajudar o seu próximo, como sempre fez. Ele também queria realizar filmes de sucesso, para entreter as famílias, tinha para projeto a criação de cinemas gratuitos nos bairros desfavorecidos.

Nunca vou esquecê-lo, ele era como um anjo descido do céu, mágicos foram os momentos que passei com ele... Ele não era meu chefe, ele era meu amigo.

Eu o vi finalmente em abril de 2009, e ele me disse:

"Se não nos vermos antes de muito tempo, lhe desejo o melhor, meu amigo Willy, obrigado por tudo o que tem feito por mim, lhe amo do fundo do coração.''

Depois disso, nunca mais o revi... sinto muito a falta dele, e sou eu que agradeço e agradece a Deus por nos ter dado Michael Jackson de presente neste mundo. Se a Terra estivesse povoada de mais pessoas como ele, tudo iria para melhor. Ele sempre dizia que o seu maior desejo era conhecer Deus, acredito que finalmente vai conseguir realizá-lo.
Adeus, Michael!''

William T. (ex guarda-costas de Michael Jackson)

Fonte: MJBackstage