Entrevista com Lisa Robinson (06)


Entrevista com Michael Jackson por telefone 
de sua casa em Encino, em Fevereiro de 1977

Lisa Robinson: Você tem feito isso há mais de 10 anos agora, você já se perguntou se você poderia ter tido uma vida diferente, o que você estaria fazendo?

Michael Jackson: Não sei... É muito divertido, você aprende uma porção de coisas, e você entra em uma porção de lugares. Agora, eu escrevo uma porção de músicas. Eu tenho escrito muitas músicas por um longo tempo. Estou ansioso para gravá-las.

LR: E sobre as coisas de celebridades, como quando você vem a New York e vai, por exemplo, com Andy Warhol ao [restaurante] Regine's como você fez recentemente?

MJ: [Risos.] É parte de ser um artista. Você sabe, as pessoas falam sobre você, e eles querem saber sobre você. E um monte de artistas não sabem disso, mas as entrevistas ajudam os artistas em 100 %. Eu não me refiro à promoção, quero dizer, como quando eles lhe fazem perguntas, que o ajuda  a olhar para o futuro mesmo, como quando você pergunta o que você acha que estará fazendo em 10 anos. Entrevistadores colocam [os artistas] em condições de pensar sobre sua vida, para onde estão indo ou o que deveria estar fazendo ou o que eles não deveriam estar fazendo. Por isso é importante, isso realmente é.

LR: Você acha que seus irmãos estão aliviados por não terem os mesmos encargos que você sendo o vocalista, ou você acha que eles estão com ciúmes da atenção que você recebe?

MJ: Não, nunca. Todo mundo sabe que nós temos certas tarefas que fazemos no palco e a minha coisa que eu faço é cantar na frente, e eu danço e canto a maior parte das canções. Eles sabem que é a minha tarefa e eles fazem a deles.

LR: Alguma vez você teve dúvidas ou preocupações que você não seria capaz de fazê-lo?

MJ: Não, porque é algo que eu gosto de fazer. Eu nunca pensei que não poderia fazê-lo, é só um sentimento dentro de você.

LR: Você nunca perdeu a paciência ou ficou esgotado ou entediado?

MJ: Eu fico entediado, por vezes, sim... Você tem que esperar em seu quarto de hotel, e todos esses fãs estão batendo à sua porta ou esperando lá fora em torno do hotel, e tudo que você pode fazer é ficar no seu quarto. Você não pode ir a qualquer lugar. Então é assim que eu diria que eu fico entediado. Mas você tem uma obrigação para os seus fãs, que fizeram quem você é. Eles são os que compraram os discos, então, os artistas que não assinam autógrafos e essas coisas estão errados. Alguém que faz isso, eu não posso dizer que ele está certo, porque ele está errado... porque se ele for fazer um show e ninguém aparecer, ele não fará o show. Assim, ele deve isso a eles [aos fãs].

LR: Você sai com as garotas? Os nomes?

MJ: Não, eu não namoro, não. Eu realmente não estou interessado no momento. Eu gosto de garotas e tudo, mas [risos]... Ah, você acha que eu sou um desses? Não! Eu sou não estou interessado agora.

LR: Garotos com mais de 18 anos de idade não tem que se levantar todos os dias e ensaiar ou excursionar ou trabalhar 12 horas por dia: eles têm namoradas, fazem esportes, têm casa, têm uma vida diferente – Você tem tido uma vida diferente há anos. Será que isso coloca você para baixo?

MJ: Não, porque é algo que eu gosto de fazer. Se fosse trabalho, eu não acho que poderia ter durado tanto tempo. Eu provavelmente enlouqueceria.

LR: Você sente que tem um dom especial?

MJ: Bem, há uma coisa chamada de talento. E, sim, eu diria que é verdade... Por exemplo, com um artista, ele pode desenhar qualquer coisa que você puder olhar, ele pode fazer isso. E isso você não toma, ninguém pode mesmo tirar isso da pessoa. Então, olhe para a diferença.

LR: Quanto a férias?

MJ: Eu gosto de estar em casa porque viajamos o tempo todo, por isso, se tirarmos algum tempo fora para viajar, não seriam férias. Nós fazemos o suficiente [de viagens], quando estamos trabalhando.

LR: Quem mora em sua casa de família agora?

MJ: Eu, Randy,Janet e La Toya.

LR: Nenhum dos outros irmãos?

MJ: Uh-uh. O resto vivem fora e são casados

LR: Marlon?

MJ: Ele é casado e ele tem um bebê.

LR: Eu não sabia disso. Qual é o nome da sua esposa?

MJ: Carol... mas não imprima isso.

LR: Você não deveria dizer que é casado? Jackie não quer?

MJ: Correto, nenhum deles. Não mencione isso.

LR: Quê? Esse tipo de bobagem...

MJ: Eu sei.

LR: Ok, mudando de assunto. Você está na Epic Records agora, você tem saudades da Motown e tudo?

MJ: Tenho saudades dos velhos tempos de Motown, nos velhos tempos. Quando chegamos lá, morava com Diane [Diana Ross] e nós tocamos para os Gordy. Nós íamos para a Disney e andávamos de bicicleta e todas essas coisas.

LR: Você já viu Diana Ross em Lady Sings the Blues ou Mahogany? Você quer atuar?

MJ: Lady Sings the Blues foi muito maior do que Mahogany, porque ela pode entrar muito mais na personagem. Foi sobre esta cantora e as drogas... Um ator de verdade pode fazer qualquer parte, mas eu quero fazer algo relacionado ao show business. Como em Mahogany, Diana é grande, mas ela não é uma atriz de verdade [como foi em Lady Sings the Blues]... Ela inspirou muita gente, com certeza.


Fonte: http://www.vanityfair.com 
Tradução: O livro ''As várias faces de Michael Jackson'' de Marcílio Costa da Silva

6 comentários:

  1. Esse ano 1977 me lembro bem estava no primeiro ano da faculdade, mas não sabia da existência dos J5 e nem desse moço lindo acima, que pena, amiga!
    Uma das coisas que eu observo em Michael é que ele não mudou muito na sua maneira de pensar, comparando entrevistas com ele mais jovem como essa e outras com mais idade, talvez menos ingênuo, o que é admirável.

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    1. É verdade, angel, a sua escala de valores e os seus objetivos maiores nunca se alteraram, e nós podemos fazer as comparações em diversas fases de sua vida.

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  2. Boa noite, Rosane!

    Eu também observo que Michael não mudou muito na sua maneira de pensar. :)

    E que fofo é ele falando sobre os fãs, sobre como os artistas devem tratá-los! Amei a entrevista toda! ♥

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    1. Boa noite, Regina! Muito legal alguém ser tão determinado ainda precocemente. O respeito que Michael sempre teve pelos seus fãs é um ''capítulo à parte''... e não dá para colocar outro artista no lugar dele [em nossos corações].

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  3. A essência boa inata dele nunca foi alterado, desde criança. Mas, ele mudou de opinião quanto à entrevistas, o que é compreensível.

    E ele disse para não publicar e foi publicado.

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    1. Sim, eu reparei nisso, e o curioso é que a edição não retirou esta fala dele.

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